Alimentação do Autista

 Como uma alimentação pode ajudar um autista?

O autismo é um transtorno de desenvolvimento que vem crescendo. A cada 45 crianças, 1 é autista. A dieta não faz nenhum milagre, mas pode facilitar a vida da pessoa com autismo.
Veja abaixo algumas orientações nutricionais para o tratamento da Nutricionista Mariana Kastropil:

• A desintoxicação orgânica de metais pesados é extremamente necessária em pacientes autistas.
• Os alimentos que foram relacionados com o autismo são os que possuem glúten (trigo, cevada, centeio, aveia) e caseína (laticínios), mas outros também podem ser prejudiciais, dependendo da individualidade bioquímica, como ovo, tomate, berinjela, abacate, pimenta, soja, milho, nozes, entre outros.
• Devem ser evitados aditivos químicos como os corantes, conservantes, nitratos, sódio e adoçantes. Portanto, evitar o consumo de alimentos industrializados e procurar uma alimentação rica em frutas, verduras, grãos integrais e legumes. Além disso, é importante evitar consumir cafeína e bebidas alcoólicas.
• Procurar manter os níveis de glicose no nosso sangue constantes, pois é importante para a função cerebral. Para isso, consumir alimentos a cada 3 horas em pequenas quantidades, assim o organismo tem suprimento constante de energia e não vai ter picos e nem quedas de glicose ao longo do dia.
• Uma dieta antioxidante que ajudará a eliminar as toxinas e nutrir o organismo, além de manter a glicemia é fundamental. Estas condutas também auxiliarão no bom funcionamento do intestino, que é fundamental nestes pacientes, tanto para melhorar a sensibilidade alimentar quanto para diminuir hiperpermeabilidade intestinal e melhor a imunidade.
• Os salgadinhos, sucos em pó artificial e gelatina são muito ricos em corantes. Hoje se sabe que os corantes estimulam a hiperatividade, por essa razão devem ser banidos da dieta dos autistas.

Além das dicas acima, o nutricionista funcional poderá suplementar nutrientes e fitoterápicos adequados para o tratamento, avaliando de forma individualizada cada sintoma do paciente.

A Nutricionista Tatiana Zanin, explica que a alimentação para o autista deve ser isenta de leite (caseína), glúten (trigo, aveia, cevada e centeio) e soja. Essa dieta promove alterações cerebrais que diminuem a euforia e a agressividade dos autistas, sendo uma ótima forma de complementar o tratamento do autismo infantil e adulto.
Os autistas tendem a ter algumas deficiências nutricionais, que quando são supridas também ajudam a controlar melhor a doença. A maior parte dos autistas possui:

• Deficiência em zinco;
• Excesso de cobre;
• Deficiência em cálcio e magnésio;
• Deficiência em ômega 3;
• Deficiência de fibras;
• Deficiência em antioxidantes.

O autista é incapaz de tirar o total proveito das terapias comportamentais se tiver um cérebro desnutrido, inflamação gastrointestinal ou acúmulo de compostos tóxicos - fatores que prejudicam a comunicação cerebral. Por isso, a alimentação é fundamental.

Algumas dicas do que se pode comer no autismo são:

• Alimentos ricos em ômega 3: como sardinha, salmão, cavala, nozes, amêndoas, avelãs, cajus, pinhões, sementes de linhaça, sementes de abóbora, sementes de chia;
• Alimentos ricos em antioxidantes: como frutas legumes orgânicos;
• Alimentos ricos em ômega 3;
• Alimentos antioxidantes de origem biológica.

É importante que a alimentação do paciente autista seja anti-inflamatória e, por isso, os ômegas 3 e os antioxidantes são fundamentais. Além disso, deve-se também preferir carnes magras e cereais integrais.
A dieta sem glúten, sem caseína e sem soja de todas as abordagens dietéticas é a que tem revelado efeitos mais positivos no maior número de crianças com autismo. Como esta dieta é muito específica é importante o acompanhamento de um nutricionista.
Segundo a Nutricionista Juliana Souza, glúten, soja, leite (caseína) intensificam os sintomas do autista. Quando eles são retirados da dieta, geralmente eles ficam mais calmos e com isso melhora a atenção e concentração. Isso acontece devido a maioria dos autistas apresentarem deficiência enzimática, levando a uma sensibilidade do intestino, essa deficiência inibe a digestão completa da proteína presente nesses alimentos. Esse fator da deficiência, forma grande quantia de pequenos peptídios (fragmentos de proteínas) dentro do intestino, devido essa sensibilidade ocorre pequenas aberturas que permitem que essas partículas caiam na corrente sanguínea e assim chegar ao Sistema Nervoso Central (SNC) e assim intensifica a agitação e o isolamento. A ação desses peptídios é semelhante ao ópio (planta que causa euforia e dependência química).
Uma nutrição adequada é fundamental para saúde cerebral do ser humano.

Integração Sensorial

O que é Integração Sensorial?

Nos anos 60, uma Terapeuta Ocupacional norte americana, Anna Jean Ayres desenvolveu a técnica de Integração Sensorial relacionando as sensações corporais, os mecanismos cerebrais e a aprendizagem. De acordo com Ayres, a Integração Sensorial é o processo pela qual o cérebro organiza as informações, de modo a dar uma resposta adaptativa adequada, organizando dessa forma, as sensações do próprio corpo e do ambiente de forma a ser possível o uso eficiente do mesmo no ambiente, ou seja, é a organização de informações sensoriais, provenientes de diferentes canais sensoriais e a habilidade de relacionar estímulos de um canal a outro, de forma a emitir uma resposta adaptativa.
Ou seja, é a habilidade inata do indivíduo em organizar, interpretar sensações e responder apropriadamente ao ambiente, de modo a auxiliar o ser humano no uso funcional, nas atividades e ocupações desempenhadas no dia-a-dia, melhorando o processamento do sistema nervoso, fornecendo uma base estável para a formulação e execução de um comportamento adequado.
A abordagem da Terapia de Integração Sensorial é baseada no entendimento de que a interrupção no processamento neurológico da informação sensorial interfere com a produção de comportamentos organizados e intencionais que fornecem a base para a aprendizagem e desenvolvimento de competências. O método visa a quantidade e a qualidade de estímulos voltados ao sujeito, para proporcionar um equilíbrio modulado, dando assim, uma resposta que esteja de acordo com suas capacidades e com o meio, melhorando, assim, o desempenho de uma criança, em seu processo de aprendizagem.
Inicialmente a Terapia de Integração Sensorial era destinada às crianças com distúrbios de aprendizagem, sem nenhum diagnóstico, no entanto, de acordo com várias pesquisas, atualmente esse método é utilizado em sujeitos que possuem diversos diagnósticos, além de distúrbios de aprendizagem, como lesão neurológica, TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) síndromes genéticas, retardo do desenvolvimento neuropsicomotor, Autismo, deficiências mentais, transtornos mentais, Paralisia Cerebral, adultos com patologias que afetam as funções sensoriais, entre outros transtornos invasivos do desenvolvimento.
Estudos demonstram que uma em cada vinte crianças tem uma desordem no processamento sensorial, além disso, verifica-se que o transtorno do processamento sensorial é bastante comum entre as crianças do espectro autista.
Tendo em vista que tudo que fazemos no nosso dia a dia depende de informações sensoriais, as crianças que apresentam comprometimentos nesse processamento, tendem a ser mais desorganizadas, com dificuldade de prestar atenção, e se relacionar com as pessoas, pois não organizam e não interpretam a informação recebida da mesma maneira que os outros.Sendo assim, os principais componentes da intervenção incluem uma abordagem sensorial rica, dentro de um contexto de brincadeiras que vão se tornando gradualmente mais complexas para promover respostas cada vez mais maduras e organizadas, resultando em novas aprendizagens e comportamentos.
O ambiente terapêutico, onde é realizada a Integração Sensorial, é um espaço rico em equipamentos, materiais e brinquedos interessantes, centrados nas vontades da criança, objetos que despertem os estímulos sensoriais desejados. Nesse sentido, cabe destacar que o tratamento deve ser elaborado individualmente, e os equipamentos e o espaço terapêutico devem ser adequados às necessidades de cada paciente, levando em consideração a avaliação do perfil sensorial e comportamental da criança.
Portanto, através do manejo do terapeuta, a criança organiza a sua conduta e explora suas necessidades, fazendo que o sistema nervoso organize os estímulos criando respostas adaptativas para as exigências do ambiente, uma vez que as sensações experimentadas devem ser agradáveis, possibilitando a geração de um prazer. Esse fenômeno, chamado de Integração ou Processamento Sensorial, ajuda a promover o desenvolvimento do ser humano.
Dessa forma, o tratamento é centrado em melhorar as habilidades motoras e sensoriais para desenvolver uma adequada modulação sensorial de atenção e controle comportamental, e / ou integrar informações sensoriais como base para refinar o planejamento motor (imitação, sequenciamento, aprender novas tarefas) para que assim, o sujeito tenha uma maior participação na escola, em jogos, em seu contexto social e em suas atividades de vida diária.
Sendo assim, é notória a importância dessa intervenção terapêutica para o avanço do processo de reabilitação e para as práticas de saúde no desenvolvimento infantil na busca por autonomia, independência e qualidade de vida da criança.

Referências:

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